quinta-feira, 4 de julho de 2013

Reflexões acerca da obra Ciência e Estado, de Regina L. M. Morel.

A obra de Morel contribui na pesquisa a ser desenvolvida na medida em que traz reflexões acerca do conceito de intelectual orgânico de Antonio Gramsci. Para ele, todo grupo social cria para si uma ou mais camadas de intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência da própria função, não apenas no campo econômico, mas também no social e político. Deste modo, Belisário Penna e sua proposta de construção de nacionalidade através do sanitarismo e da educação sanitária é aquele que se dedica a defender/ criar uma ideologia de um grupo específico, que consiste nos seus pares, médicos e outros intelectuais que defenderam no Brasil dos anos 20 e 30, a eugenia.  Morel continua sua explanação afirmando que, como funcionários da superestrutura, caberia aos intelectuais orgânicos da classe dirigente, garantir, ao nível da sociedade civil, a hegemonia desta classe e também teriam, na sociedade política, funções no aparato administrativo e coercitivo do Estado. Assim, cabe a esta pesquisa investigar as propostas sanitárias e atuação de Penna na Liga Pró-Saneamento do Brasil, depois como inspetor de Propaganda e Educação Sanitária e posteriormente, a convite de Getúlio Vargas para organizar o serviço local de higiene do Rio Grande do Sul. Cabe compreender de que forma suas propostas foram apresentadas e justificadas como sendo organizações necessárias para a sociedade racional, tendo em vista que seu discurso sanitário, que buscava sanear a população brasileira a fim de se combater doenças não era neutro, sem intencionalidade, pois para o mesmo, a construção da nacionalidade brasileira estava vinculada a educação e propaganda sanitária, capaz de moldar o cidadão.

Referências:

MOREL, Regina Lúcia de Moraes. Ciência e Estado: a política científica no Brasil. São Paulo; T.A. Queiroz, 1979.

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