Belisário Augusto de Oliveira Penna, nascido aos 29 de novembro de 1868,
em Barbacena, Minas Gerais. Filho homônimo do visconde de Carandaí, importante
benfeitor da cidade, e de Lina Leopoldina Lage Duque. Matriculou-se, em 1886,
na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mas concluiu o curso na Faculdade
de Medicina da Bahia, em Salvador, onde se casou com Ernestina Rodrigues
Chaves, filha do conselheiro João Rodrigues Chaves, fundador e diretor da
faculdade de direito local.
Voltou a Barbacena, trabalhando como médico da Colônia Rodrigo Silva,
formada por agricultores de origem italiana. Também tentou clinicar em
localidades próximas, acabando por se fixar em Juiz de Fora, em 1896, onde
assumiu as funções de médico da Hospedaria dos Imigrantes, demitindo-se por
motivo do não atendimento de suas reivindicações de melhorias nos serviços que
prestava.
Com a nomeação de Oswaldo Cruz, em 1903, para dirigir os serviços
federais de saúde pública, realizaram-se concursos para as campanhas
sanitárias. Aprovado, Penna tomou posse como inspetor sanitário no Rio de
Janeiro, em maio de 1904.
No ano seguinte, foi transferido
para o Serviço de Profilaxia da Febre Amarela. Depois de estudar o
desenvolvimento das larvas do mosquito transmissor da doença, propôs a
diminuição do intervalo de visitas a cada seção da zona, para destruição dos
focos, o que surtiu efeito e foi adotado como procedimento geral da campanha.
Designado por Oswaldo Cruz, Penna percorreu, junto com Arthur Neiva, do
IOC, em 1912, o norte da Bahia, sudeste de Pernambuco, sul do Piauí e nordeste
de Goiás, com o objetivo de estudar as condições sanitárias e enfrentar os
problemas de saúde existentes nessa região. Viajaram durante sete meses,
registrando não apenas as doenças encontradas, mas também aspectos sociais,
econômicos e culturais da vida das populações locais.
Em 1913, Penna solicitou licença de seis meses e, por conta própria,
percorreu os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para
estudá-los, como fizera em relação aos estados do Norte. Depois reassumiu o
cargo de inspetor sanitário no Rio de Janeiro. Em 1916, o relatório da viagem
pelo Nordeste e Centro-Oeste foi publicado nas Memórias do Instituto Oswaldo
Cruz, trazendo para a opinião pública a realidade da saúde no interior do
país. No mesmo ano, Penna iniciou, pelo Correio da Manhã, uma campanha
pelo 'saneamento do Brasil'.
O livro Saneamento do Brasil influenciou a
decisão do presidente Wenceslau Brás de criar o Serviço de Profilaxia Rural, em
maio de 1918, e de nomear Penna para dirigi-lo. O cargo permitiu-lhe instalar
dez postos sanitários nas zonas rurais do Distrito Federal e realizar várias
conferências em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A Liga Pró-Saneamento do Brasil editou, nos seus dois anos de existência, o periódico Saúde – Mensário de Higiene, Assuntos Sociais e Econômicos. O editorial do último número afirmava que a agremiação havia alcançado seu objetivo com a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP). Para dirigi-lo foi nomeado o cientista Carlos Chagas. A partir de então, os sanitaristas brasileiros ganharam maior poder no território nacional.
A Liga Pró-Saneamento do Brasil editou, nos seus dois anos de existência, o periódico Saúde – Mensário de Higiene, Assuntos Sociais e Econômicos. O editorial do último número afirmava que a agremiação havia alcançado seu objetivo com a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP). Para dirigi-lo foi nomeado o cientista Carlos Chagas. A partir de então, os sanitaristas brasileiros ganharam maior poder no território nacional.
Penna instalou
serviços de profilaxia rural em 15 estados durante sua gestão no DNSP.
Exonerou-se em 1922, por não concordar com interferências políticas no
departamento. No ano seguinte, a pedido do presidente de São Paulo, Washington
Luís, escreveu dois trabalhos sobre higiene: o primeiro foi publicado – Higiene
Para o Povo. Amarelão e Maleita, em 1924 – e um segundo (inédito)
dirigido aos profissionais de educação. Neste mesmo ano em carta aberta, apoiou
a revolta tenentista que irrompeu em 5 de julho daquele ano, em São Paulo.
Penna retornou em 1927 à administração pública, como inspetor de
Propaganda e Educação Sanitária. Percorreu então os estados de Minas Gerais,
Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, até ser requisitado pelo
presidente do estado do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas, para organizar o
serviço local de higiene. No Sul, iniciou um período de trabalho intenso,
proferindo conferências e indicando providências relativas a problemas de
saúde. Merece destaque seu engajamento na Revolução de 1930. Após a vitória do
movimento, foi nomeado diretor do DNSP. Em 1932, Penna filiou-se Ação Integralista Brasileira
(AIB), fundada por Plínio Salgado, tornando-se membro da Câmara dos 40, órgão
supremo do movimento. Faleceu em 04 de novembro de 1939.
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